Na Universidade de São Paulo, já há alguns anos, optou-se por uma prática de ensino que exige do graduando em direção teatral a habilidade de orientar e coordenar um processo colaborativo. Essa habilidade é exigida no terceiro ano do curso de Direção Teatral e muitas vezes levado para o ano seguinte, o ano de conclusão do curso.
Já na Universidade de Campinas, em 2006, o último projeto de aprendizagem e pesquisa foi a criação de um espetáculo criado pelos atores e orientado pelos professores do departamento de Artes Cênicas e essa orientação abriu a possibilidade de aglutinar ao processo um encenador convidado, dessas duas realidades nasceu o projeto de intercâmbio Unicamp-USP que resultou no trabalho Além de cada solidão.
O Processo colaborativo é uma estrutura de trabalho que implica na coordenação e criação de um espetáculo onde, como o próprio nome indica, a obra é realizada de maneira que todos possam participar das diversas etapas da criação.
Nesse trabalho as funções permanecem as mesmas, a direção encena, a interpretação atua, a dramaturgia escreve e assim por diante, mas todos os componentes são estimulados a interferir no trabalho um do outro, tomando a criação como função coletiva.
O trabalho passa a ser uma criação coletiva, determinada por uma confluência de fatores. Todos voltados para o mesmo objetivo, mas as funções se tornam mais maleáveis. Cenas nascem de improvisações, que são reescritas pela dramaturgia e reencenadas por outros atores. Textos são reescritos na cena e reeditados pela direção, Cenas surgem de propostas sonoras, cenográficas e assim por diante.
Nesse processo o mais importante é a dramaturgia da cena, ela é quem ordena e orienta o trabalho. É pré-requisito testar todas as idéias e todas as possibilidades. Todas as idéias devem ser levadas para a cena, experimentadas na prática do trabalho.
É um processo desgastante em muitos aspectos e ao mesmo tempo gratificante em outros, mas, definitivamente, exigente no tempo. Se por um lado o processo é mais lento, por outro o fator coletivo é enaltecido. Todos os criadores e todos os elementos são convocados para participar ativamente do trabalho.
A iluminação é posta à prova cena a cena, assim como a cenografia, a indumentária, a maquiagem. Todos os elementos são constituídos de fator de posicionamentos, ou seja, cabe a todos se colocar perante a cena, não é possível permanecer indiferente às etapas de produção. Todas as etapas são acompanhadas por todos os integrantes que podem e são estimulados a opinar sobre o encaminhamento e direcionamento do trabalho.
A lucidez durante o processo é essencial para que se chegue a uma obra que tenha sido criada a partir e com todos os envolvidos no trabalho.
Os limites do processo acontecem porque, como uma obra coletiva, muitas vezes, são necessárias concessões para que o trabalho prossiga, muitas vezes são necessários retornos, recomeços, revisões são constantes.
Essencial é que todas essas etapas sejam seguidas de perto pela direção que deve agir como coordenador e orientador do processo como um todo. Buscando sempre a visão global do processo o diretor/encenador deve constantemente impedir a criação de grandes rupturas ou cisões, muitas vezes agindo como apaziguador dos conflitos. Mas uma coisa é apaziguar os conflitos outra evita-los. Os conflitos são necessários para o processo apenas não podem se tornar centrais no trabalho.
Concessões devem ser realizadas por parte de todos em função da cena, mas tais concessões não devem ferir as individualidades de forma a impossibilitar a criação, ou fazer surgir um afastamento do objetivo geral e coletivo desejado.
A experiência nesse tipo de processo é enriquecedora e necessita que as partes estejam dispostas a cooperar e entender que apesar de uma função clara para cada participante, nesse processo todos devem possuir uma película permeável pela qual devem ser deixados portas de entradas diversas para que todos os integrantes da obra colaborarem.
Trabalhar assim exige o entendimento de uma riqueza essencial a de que com a colaboração das diversas perspectivas e com os diversas acréscimos dos artistas envolvidos pode-se chegar a uma obra que seja a concepção máxima das vontades criadoras de todos reunidos e organizados dentro de um único trabalho.
Foram necessários dois semestres para que se desse o entendimento do processo nos integrantes e na própria obra, assim como para o amadurecimento das relações e a clareza para o posicionamento na obra. Mas a experiência desse tipo de processo dentro dos muros da universidade mostra a possibilidade de um crescimento pessoal e artístico elevadíssimo. Onde o amadurecimento e o diálogo são, não pré-requisitos, mas habilidades que serão adquiridas para a conclusão do trabalho.
Já na Universidade de Campinas, em 2006, o último projeto de aprendizagem e pesquisa foi a criação de um espetáculo criado pelos atores e orientado pelos professores do departamento de Artes Cênicas e essa orientação abriu a possibilidade de aglutinar ao processo um encenador convidado, dessas duas realidades nasceu o projeto de intercâmbio Unicamp-USP que resultou no trabalho Além de cada solidão.
O Processo colaborativo é uma estrutura de trabalho que implica na coordenação e criação de um espetáculo onde, como o próprio nome indica, a obra é realizada de maneira que todos possam participar das diversas etapas da criação.
Nesse trabalho as funções permanecem as mesmas, a direção encena, a interpretação atua, a dramaturgia escreve e assim por diante, mas todos os componentes são estimulados a interferir no trabalho um do outro, tomando a criação como função coletiva.
O trabalho passa a ser uma criação coletiva, determinada por uma confluência de fatores. Todos voltados para o mesmo objetivo, mas as funções se tornam mais maleáveis. Cenas nascem de improvisações, que são reescritas pela dramaturgia e reencenadas por outros atores. Textos são reescritos na cena e reeditados pela direção, Cenas surgem de propostas sonoras, cenográficas e assim por diante.
Nesse processo o mais importante é a dramaturgia da cena, ela é quem ordena e orienta o trabalho. É pré-requisito testar todas as idéias e todas as possibilidades. Todas as idéias devem ser levadas para a cena, experimentadas na prática do trabalho.
É um processo desgastante em muitos aspectos e ao mesmo tempo gratificante em outros, mas, definitivamente, exigente no tempo. Se por um lado o processo é mais lento, por outro o fator coletivo é enaltecido. Todos os criadores e todos os elementos são convocados para participar ativamente do trabalho.
A iluminação é posta à prova cena a cena, assim como a cenografia, a indumentária, a maquiagem. Todos os elementos são constituídos de fator de posicionamentos, ou seja, cabe a todos se colocar perante a cena, não é possível permanecer indiferente às etapas de produção. Todas as etapas são acompanhadas por todos os integrantes que podem e são estimulados a opinar sobre o encaminhamento e direcionamento do trabalho.
A lucidez durante o processo é essencial para que se chegue a uma obra que tenha sido criada a partir e com todos os envolvidos no trabalho.
Os limites do processo acontecem porque, como uma obra coletiva, muitas vezes, são necessárias concessões para que o trabalho prossiga, muitas vezes são necessários retornos, recomeços, revisões são constantes.
Essencial é que todas essas etapas sejam seguidas de perto pela direção que deve agir como coordenador e orientador do processo como um todo. Buscando sempre a visão global do processo o diretor/encenador deve constantemente impedir a criação de grandes rupturas ou cisões, muitas vezes agindo como apaziguador dos conflitos. Mas uma coisa é apaziguar os conflitos outra evita-los. Os conflitos são necessários para o processo apenas não podem se tornar centrais no trabalho.
Concessões devem ser realizadas por parte de todos em função da cena, mas tais concessões não devem ferir as individualidades de forma a impossibilitar a criação, ou fazer surgir um afastamento do objetivo geral e coletivo desejado.
A experiência nesse tipo de processo é enriquecedora e necessita que as partes estejam dispostas a cooperar e entender que apesar de uma função clara para cada participante, nesse processo todos devem possuir uma película permeável pela qual devem ser deixados portas de entradas diversas para que todos os integrantes da obra colaborarem.
Trabalhar assim exige o entendimento de uma riqueza essencial a de que com a colaboração das diversas perspectivas e com os diversas acréscimos dos artistas envolvidos pode-se chegar a uma obra que seja a concepção máxima das vontades criadoras de todos reunidos e organizados dentro de um único trabalho.
Foram necessários dois semestres para que se desse o entendimento do processo nos integrantes e na própria obra, assim como para o amadurecimento das relações e a clareza para o posicionamento na obra. Mas a experiência desse tipo de processo dentro dos muros da universidade mostra a possibilidade de um crescimento pessoal e artístico elevadíssimo. Onde o amadurecimento e o diálogo são, não pré-requisitos, mas habilidades que serão adquiridas para a conclusão do trabalho.
By Humberto Issao

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